Ataque contra petroleiro saudita devolve parte do prêmio geopolítico ao petróleo, enquanto ouro e prata ganham força com a queda dos juros norte-americanos
Atualizado em 5 de agosto de 2026, às 7h18, no horário de Brasília. As cotações representam as referências internacionais mais recentes disponíveis e podem mudar ao longo do pregão.
O mercado internacional de commodities começa esta quarta-feira com uma mudança relevante em relação à leitura inicial da manhã. Depois da forte queda registrada na sessão anterior, o petróleo voltou a subir, reagindo a um novo episódio de tensão no Mar Vermelho.
Na referência mais recente, o Brent avançava 1,35%, para US$ 80,43 por barril, enquanto o WTI subia 0,59%, para US$ 76,22. O movimento ocorreu após os houthis afirmarem que atacaram um petroleiro saudita próximo ao porto de Yanbu, importante ponto de exportação de petróleo. Reuters
A recuperação mostra que o prêmio geopolítico não desapareceu. Embora o mercado ainda acompanhe possíveis negociações para reduzir as tensões entre Estados Unidos e Irã, novos incidentes marítimos continuam capazes de alterar rapidamente as cotações.
Nos grãos, o clima favorável nos Estados Unidos mantém pressão sobre soja e milho. Nos metais, ouro e prata avançam com a queda dos rendimentos dos títulos norte-americanos e a fraqueza do dólar.
Cotações atualizadas em destaque
| Commodity | Referência | Cotação | Variação |
|---|---|---|---|
| Petróleo Brent | Futuro internacional | US$ 80,43/barril | +1,35% |
| Petróleo WTI | Futuro dos EUA | US$ 76,22/barril | +0,59% |
| Ouro | Mercado à vista | US$ 4.164,13/onça | +2,20% |
| Prata | Mercado à vista | US$ 61,49/onça | +3,30% |
| Soja | Chicago, novembro/26 | US$ 11,70/bushel | -0,66% |
| Boi gordo | B3, agosto/26 — último fechamento | R$ 347,15/@ | Estável |
O petróleo foi atualizado pela Reuters; ouro e prata utilizam referências internacionais da manhã. A soja novembro operava próxima de US$ 11,70 por bushel às 6h39, no horário de Brasília. O boi gordo corresponde ao fechamento anterior da B3. Reuters
Petróleo recupera parte das perdas
A alta desta manhã ocorre depois de uma queda próxima de 5% na terça-feira, provocada pela expectativa de avanço nas negociações para reduzir as hostilidades no Oriente Médio e normalizar o transporte de petróleo.
Esse cenário mudou parcialmente após a informação sobre o ataque ao petroleiro saudita. A notícia voltou a destacar a vulnerabilidade das rotas de exportação que passam pelo Mar Vermelho e por áreas próximas ao Estreito de Ormuz. Reuters
O mercado enfrenta agora duas forças opostas.
De um lado, sinais de negociação diplomática reduzem o risco de uma interrupção prolongada dos fluxos de energia. De outro, ataques contra navios mostram que a segurança marítima continua longe de uma normalização definitiva.
O Irã também negou que negociações de paz estivessem em andamento, contrariando declarações norte-americanas e aumentando a incerteza sobre a possibilidade de um acordo rápido. Reuters
A leitura correta para o petróleo, portanto, deixa de ser baixista no curto prazo e passa a ser positiva e altamente volátil.
Estoques nos Estados Unidos limitam a alta
Apesar da retomada do prêmio geopolítico, o petróleo encontra resistência nos fundamentos de oferta.
Dados preliminares do American Petroleum Institute indicaram aumento aproximado de 2,7 milhões de barris nos estoques norte-americanos de petróleo bruto na semana encerrada em 31 de julho. Estoques maiores podem indicar menor demanda ou oferta mais confortável. Reuters
O mercado aguarda a divulgação oficial da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos para confirmar os números.
Caso os estoques oficiais mostrem crescimento acima do esperado, parte da alta provocada pela geopolítica pode ser devolvida. Uma redução inesperada dos estoques poderia ampliar o movimento positivo.
Soja continua pressionada pelo clima
A soja permanece em baixa em Chicago, com o contrato novembro negociado próximo de US$ 11,70 por bushel, queda de aproximadamente 0,66% na atualização das 6h39.
As previsões de chuva no Meio-Oeste dos Estados Unidos continuam reduzindo o prêmio climático. O período atual é importante para a formação e o enchimento das vagens, tornando o mercado especialmente sensível à distribuição das precipitações. Notícias Agrícolas
A demanda chinesa e as perspectivas para o processamento norte-americano oferecem algum suporte. No entanto, enquanto os mapas meteorológicos continuarem favoráveis, o clima deve permanecer como o principal fator de pressão.
Milho acompanha perspectiva de oferta elevada
O milho também permanece limitado pelas condições climáticas norte-americanas e pela disponibilidade da segunda safra brasileira.
A expectativa de produtividade elevada nos Estados Unidos reduz a necessidade de prêmio de risco. No Brasil, o avanço da colheita amplia a oferta no mercado físico e mantém pressão sobre as referências domésticas.
Apesar disso, a deterioração recente de parte das lavouras norte-americanas impede uma leitura totalmente baixista. Caso as chuvas previstas decepcionem, o milho pode recuperar parte das perdas.
O viés permanece neutro a baixista, com elevada dependência dos próximos mapas climáticos.
Trigo segue vulnerável ao Mar Negro
O trigo continua dividido entre a disponibilidade mundial e os riscos logísticos provocados pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
A oferta global limita movimentos prolongados de valorização. Ao mesmo tempo, qualquer ataque contra portos, terminais ou navios no Mar Negro pode elevar fretes, seguros e custos de transporte.
O cereal permanece, portanto, com comportamento volátil e mais exposto à geopolítica do que milho e soja.
Boi gordo mantém firmeza
O boi gordo agosto encerrou a sessão anterior da B3 em R$ 347,15 por arroba.
A oferta relativamente restrita de animais terminados continua dando sustentação ao mercado brasileiro. As exportações de carne bovina e as escalas de abate dos frigoríficos permanecem como os principais indicadores acompanhados no curto prazo. Notícias Agrícolas
O início do mês pode favorecer temporariamente o consumo interno, mas as negociações continuam diferentes entre as regiões produtoras.
O viés permanece firme.
Ouro alcança máxima de um mês
O ouro é um dos principais destaques positivos do dia.
O metal à vista subia 2,2%, para US$ 4.164,13 por onça, atingindo o maior nível desde 7 de julho. Os contratos futuros norte-americanos avançavam para US$ 4.223,60 por onça. Reuters
A valorização ocorre com a queda dos rendimentos dos Treasuries e a fraqueza do dólar. A expectativa de menor pressão inflacionária reduziu as apostas em uma postura monetária mais dura pelo Federal Reserve, aumentando a atratividade dos ativos que não pagam juros. Reuters
O mercado passou a precificar aproximadamente 59% de probabilidade de alta dos juros em setembro, abaixo dos 67% observados no dia anterior. Reuters
Prata sobe mais que o ouro
A prata avançava 3,3%, para US$ 61,49 por onça, também alcançando o maior nível desde o início de julho. Reuters
Além do efeito positivo provocado pelo dólar e pelos juros, a prata recebe suporte de sua utilização industrial em energia solar, eletrônicos, redes elétricas e infraestrutura tecnológica.
O metal tende a apresentar movimentos mais intensos que o ouro, tanto nas altas quanto nas correções.
Cobre mantém cenário estrutural favorável
O cobre continua sustentado pela demanda ligada à eletrificação, à expansão de redes de energia e ao crescimento dos centros de dados.
Estoques reduzidos em algumas regiões e a reorganização dos fluxos físicos internacionais também oferecem suporte aos preços.
O cenário estrutural permanece positivo, embora a proximidade das máximas recentes aumente a possibilidade de realização de lucros.
Minério de ferro continua dependente da China
O minério de ferro permanece limitado pela demanda moderada das siderúrgicas chinesas.
A fragilidade do setor imobiliário, as margens apertadas da indústria siderúrgica e os estoques elevados reduzem o potencial de valorização.
Do lado da oferta, possíveis problemas logísticos na Austrália e negociações comerciais entre compradores chineses e grandes mineradoras podem provocar movimentos pontuais.
O viés permanece lateral a levemente baixista.
Geopolítica volta ao centro da formação dos preços
O ataque relatado contra o petroleiro saudita mostra que a geopolítica continua sendo o principal fator de curto prazo para o mercado de energia.
Antes da intensificação do conflito, aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito negociados mundialmente passavam pelo Estreito de Ormuz. Qualquer ameaça a essa rota possui potencial para afetar preços, seguros marítimos e custos de transporte. Reuters
No Mar Vermelho, novos ataques ampliam a preocupação com os embarques sauditas. No Mar Negro, a guerra continua influenciando trigo, combustíveis e fertilizantes.
O mercado trabalha, portanto, entre a expectativa de negociação diplomática e a permanência de riscos concretos para a logística.
O que pode movimentar o mercado hoje
Os principais pontos de atenção são:
- divulgação do emprego privado ADP nos Estados Unidos;
- estoques oficiais de petróleo divulgados pela EIA;
- novos incidentes envolvendo navios no Mar Vermelho;
- declarações de Estados Unidos e Irã sobre possíveis negociações;
- atualização dos mapas climáticos do Meio-Oeste;
- comportamento do dólar e dos juros dos Treasuries;
- sinais de demanda e estímulos econômicos na China.
O emprego ADP será acompanhado de perto porque pode alterar as expectativas para a política monetária norte-americana. Números mais fortes tendem a elevar juros e dólar, pressionando ouro e prata. Dados mais fracos poderiam prolongar a alta dos metais preciosos. Reuters
Panorama atualizado das commodities
| Commodity | Viés predominante | Principal fator |
|---|---|---|
| Milho | Neutro a baixista | Clima e oferta elevada |
| Soja | Baixista | Chuvas no Meio-Oeste |
| Trigo | Neutro e volátil | Oferta global e Mar Negro |
| Boi gordo | Firme | Oferta limitada |
| Petróleo | Positivo e muito volátil | Ataque no Mar Vermelho |
| Ouro | Positivo | Juros e dólar mais baixos |
| Prata | Positiva e volátil | Política monetária e demanda industrial |
| Cobre | Positivo | Estoques e eletrificação |
| Minério de ferro | Lateral a baixista | Demanda chinesa moderada |
Petróleo confirma que o cenário continua instável
A principal correção em relação à leitura anterior está no petróleo.
O mercado não está mais operando em queda. A informação sobre o ataque ao petroleiro saudita devolveu parte do prêmio de risco e levou Brent e WTI novamente ao campo positivo.
Isso não invalida a possibilidade de um acordo diplomático, mas mostra que a normalização das rotas energéticas ainda depende de acontecimentos concretos.
O cenário continua sujeito a movimentos rápidos. Um avanço confirmado nas negociações pode pressionar novamente as cotações. Novos ataques ou interrupções marítimas podem ampliar a recuperação.

