Petróleo vira para queda, metais preciosos disparam e payroll coloca commodities em alerta
Brent e WTI devolvem a alta da madrugada, enquanto ouro sobe mais de 1% e prata avança cerca de 5%. Soja, milho e trigo operam no campo positivo em Chicago, mas o relatório de emprego dos Estados Unidos pode mudar completamente o cenário às 09h30.
Atualizado em 7 de agosto de 2026, com cotações verificadas por volta das 07h39, pelo horário de Brasília.
O mercado internacional de commodities entra nesta sexta-feira com sinais bastante diferentes entre energia, metais e produtos agrícolas. Depois de avançarem durante a madrugada com as tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, Brent e WTI perderam força e passaram ao campo negativo. Na direção oposta, ouro e prata se destacam entre as maiores altas da manhã, enquanto soja, milho e trigo operam em valorização moderada na Bolsa de Chicago.
O principal evento do dia, porém, ainda está pela frente. Às 09h30, pelo horário de Brasília, os Estados Unidos divulgam o relatório oficial de emprego de julho, o payroll. O dado tem potencial para alterar simultaneamente as expectativas para os juros americanos, o dólar, os Treasuries e, consequentemente, a formação de preços das principais commodities globais.
Cotações internacionais nesta manhã
| Commodity | Referência | Cotação | Variação | Situação do dado |
|---|---|---|---|---|
| Brent | Out/26 | ~US$ 82,20/barril | -0,35% | Tempo real derivado |
| WTI | Set/26 | ~US$ 77,18/barril | -0,14% | Tempo real derivado |
| Ouro | Dez/26 | US$ 4.368,30/oz | +1,60% | Tempo real derivado |
| Prata | Set/26 | US$ 64,718/oz | +5,05% | Tempo real derivado |
| Cobre | Set/26 | US$ 6,6853/lb | -0,35% | Tempo real derivado |
| Soja | Nov/26 | US$ 11,8238/bu | +0,37% | Tempo real derivado |
| Milho | Dez/26 | US$ 4,6560/bu | +0,78% | Tempo real derivado |
| Trigo | Set/26 | US$ 6,3388/bu | +0,30% | Tempo real derivado |
| Boi vivo | Ago/26 | US$ 2,3123/lb | -1,26% | Último fechamento, 06/08 |
| Minério de ferro | China | ~716,50 yuans/t | -0,35% | Referência desta sexta-feira |
| Minério 62% Fe | Benchmark internacional | US$ 95,28/t | +1,46% | Último dado diário, 06/08 |
As diferenças de horário entre os mercados exigem atenção. O boi vivo da CME ainda não negocia nesta faixa da manhã brasileira, por isso a referência corresponde ao fechamento anterior. No minério de ferro, a cotação chinesa já reflete a sessão desta sexta-feira, enquanto o benchmark internacional em dólares ainda utiliza o último dado diário disponível.
Petróleo devolve alta apesar das tensões em Ormuz
O petróleo protagonizou a principal mudança de direção da manhã.
Durante a sessão asiática, Brent e WTI avançaram diante das incertezas envolvendo a circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito. O Financial Juice colocou o tema entre os principais fatores de risco da madrugada, leitura também acompanhada pelas agências internacionais.
A valorização, no entanto, não resistiu.
O Brent, que chegou a superar US$ 84 por barril durante a sessão, recuou para a região de US$ 82,20 e passou a negociar abaixo do fechamento anterior. O WTI apresentou comportamento semelhante e caiu para perto de US$ 77,20.
A reversão mostra que, embora a geopolítica continue oferecendo suporte ao mercado, os investidores ainda não estão dispostos a ampliar o prêmio de risco sem uma deterioração concreta da situação no Oriente Médio.
O quadro também precisa ser analisado dentro de uma perspectiva mais ampla. Mesmo com a volatilidade provocada pelas tensões regionais, petróleo caminha para uma semana de perdas expressivas, sinal de que preocupações com demanda e posicionamento continuam pesando sobre os contratos.
Ouro sobe forte e prata dispara antes do payroll
Se o petróleo perdeu força, os metais preciosos assumiram o protagonismo.
O ouro futuro negocia acima de US$ 4.360 por onça, acumulando alta próxima de 1,6% nesta manhã. A valorização ocorre em meio à redução das apostas em novos aumentos dos juros americanos e à expectativa pelo relatório de emprego.
Juros menores costumam favorecer o ouro porque reduzem o custo de oportunidade de manter ativos que não oferecem rendimento. Além disso, as incertezas geopolíticas continuam contribuindo para a procura por proteção.
A prata apresenta um movimento ainda mais intenso. Os contratos avançam aproximadamente 5%, aproximando-se de US$ 65 por onça.
O comportamento mais agressivo é característico do metal, que combina demanda financeira com utilização industrial. Essa dupla natureza costuma ampliar os movimentos tanto nas altas quanto nas correções.
Depois de uma valorização dessa magnitude, entretanto, o risco de realização aumenta, principalmente caso o payroll surpreenda positivamente e provoque alta dos juros americanos e fortalecimento do dólar.
Cobre cai enquanto mercado acompanha China e oferta global
O cobre não acompanha a valorização dos metais preciosos.
Os contratos negociam próximos de US$ 6,69 por libra, com queda moderada na manhã. A fraqueza ocorre apesar de recentes preocupações do lado da oferta, principalmente após a decisão da República Democrática do Congo de restringir exportações de concentrados de cobre e cobalto.
O movimento mostra que o mercado continua muito mais sensível, no curto prazo, ao comportamento da China, do dólar e das expectativas para a economia global.
Como maior consumidor mundial de metais industriais, a China permanece decisiva para a formação de preços. Qualquer sinal de estímulo à construção civil ou à indústria tende a beneficiar o cobre; indicadores fracos produzem efeito contrário.
Minério de ferro recua na China
O minério de ferro também apresenta sinal negativo nesta sexta-feira.
A referência chinesa negocia perto de 716,5 yuans por tonelada, com recuo de aproximadamente 0,35%.
O mercado continua dividido entre problemas de demanda e preocupações com oferta. A produção siderúrgica chinesa permanece sob pressão, enquanto margens mais apertadas das usinas limitam a disposição para ampliar compras de minério.
Ao mesmo tempo, a relação entre a China e as grandes mineradoras internacionais ganhou um novo componente. A estatal China Mineral Resources Group aumentou a pressão sobre fornecedores estrangeiros nas negociações de embarques, numa tentativa de fortalecer o poder de barganha do país sobre a formação dos preços.
Esse fator pode gerar episódios de volatilidade, mas, para uma recuperação mais consistente, o mercado ainda precisa enxergar melhora concreta na demanda chinesa por aço.
Soja, milho e trigo sobem em Chicago
Nos grãos, a manhã apresenta uma configuração mais positiva.
A soja novembro negocia na região de US$ 11,82 por bushel, enquanto o milho dezembro sobe para perto de US$ 4,66. O trigo também opera no campo positivo.
Apesar da valorização, o clima americano continua sendo o principal fator de formação de preços para soja e milho. Agosto é uma etapa importante para a definição da produtividade das lavouras dos Estados Unidos, o que torna as atualizações meteorológicas especialmente relevantes.
Até agora, condições relativamente favoráveis ainda limitam a reconstrução de um prêmio climático mais expressivo. Uma mudança nos mapas de chuva ou temperatura, entretanto, poderia alterar rapidamente esse cenário.
No milho, a ampla disponibilidade brasileira também permanece como elemento de pressão estrutural, aumentando a competição no mercado internacional.
Trigo acompanha clima e mantém atenção sobre o Mar Negro
O trigo apresenta alta moderada em Chicago, mas possui uma dinâmica própria dentro do complexo agrícola.
Além do clima, o cereal continua particularmente sensível à geopolítica do Mar Negro. Rússia e Ucrânia permanecem entre os principais participantes do comércio internacional, fazendo com que problemas em portos, logística ou produção tenham potencial para provocar movimentos bruscos nas cotações.
No Brasil, o clima também entra no radar. A atuação de um ciclone extratropical na Região Sul traz risco de tempestades, ventos fortes e granizo, condições que exigem acompanhamento nas áreas produtoras.
Ainda é cedo para atribuir impacto produtivo ao fenômeno, mas o evento merece atenção pela concentração da produção brasileira de trigo justamente nos estados do Sul.
Boi mantém fundamento de oferta apertada nos Estados Unidos
No mercado de bovinos, ainda não há negociação corrente da CME nesta faixa de horário. O último fechamento do contrato de agosto foi de US$ 2,3123 por libra, com queda de 1,26%.
Apesar do recuo da sessão anterior, o fundamento continua marcado pela oferta relativamente restrita de animais nos Estados Unidos.
A recomposição do rebanho americano permanece lenta, situação que continua pressionando os custos dos frigoríficos e oferecendo suporte estrutural aos preços do gado.
No Brasil, o mercado também acompanha exportações, escalas de abate e condições climáticas, principalmente na Região Sul.
Payroll pode mudar completamente a fotografia da manhã
Às 09h30, o foco dos mercados deve sair temporariamente da geopolítica e se deslocar para Washington.
O relatório oficial de emprego de julho será decisivo para avaliar a força do mercado de trabalho americano e as próximas decisões do Federal Reserve.
Um número de criação de empregos significativamente acima do esperado pode elevar os rendimentos dos Treasuries e fortalecer o dólar. Nesse cenário, ouro, prata e cobre poderiam sofrer realização.
Uma leitura abaixo das expectativas teria efeito inverso, aumentando as apostas em uma política monetária mais branda e potencialmente reforçando o movimento dos metais preciosos.
Petróleo e grãos também podem reagir, ainda que de maneira indireta, através do dólar, das expectativas de crescimento e da mudança no apetite global por risco.
Geopolítica continua como principal risco de cauda
Embora o payroll seja o evento mais importante da agenda econômica, o Estreito de Ormuz continua sendo o maior risco geopolítico para as commodities nesta sexta-feira.
Qualquer notícia envolvendo restrições efetivas ao transporte marítimo, ataques contra infraestrutura energética ou escalada entre Irã, Estados Unidos e aliados regionais poderia provocar uma reação imediata no petróleo.
O fato de Brent e WTI estarem negativos mesmo diante das tensões sugere que o mercado ainda acredita na manutenção dos fluxos de energia. Esse equilíbrio, entretanto, pode mudar rapidamente diante de uma nova manchete.
Sexta-feira começa com mercados em direções opostas
A principal característica desta manhã é a ausência de um movimento uniforme entre as commodities.
Petróleo recua, ouro sobe forte, prata dispara, cobre e minério cedem, enquanto soja, milho e trigo avançam em Chicago.
A divergência mostra que cada grupo está respondendo a fatores diferentes: energia à geopolítica, metais preciosos aos juros americanos, metais industriais à China e os grãos ao clima.
Até 09h30, o mercado tende a permanecer em compasso de espera. Depois do payroll, dólar e Treasuries podem redefinir rapidamente essa fotografia.
Em uma sessão com tantos vetores simultâneos, o maior risco para o investidor não é apenas a direção dos preços, mas a velocidade com que essa direção pode mudar.

