Espigas de trigo em composição editorial clean representam a alta do cereal antes do WASDE

Trigo dispara antes do WASDE; metais avançam e petróleo oscila perto de US$ 89

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Chicago começa a quarta-feira com forte alta do trigo e ganhos mais moderados para soja e milho. Ouro, prata e cobre sobem antes do CPI dos Estados Unidos, enquanto Brent e WTI alternam sinais com as negociações sobre o Estreito de Ormuz no radar.

Atualizado em 12 de agosto de 2026, às 08h02, pelo horário de Brasília.

O mercado internacional de commodities inicia esta quarta-feira com três forças dominantes: a espera pelo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o WASDE; a divulgação da inflação americana; e a incerteza sobre uma possível reabertura mais ampla do Estreito de Ormuz.

O maior movimento da manhã aparece no trigo negociado em Chicago. O contrato setembro subia cerca de 3,5%, enquanto milho e soja também operavam no campo positivo. Nos metais, prata, ouro e cobre avançavam. O petróleo, depois de uma sequência de altas, oscilava perto da estabilidade, com o Brent ao redor de US$ 89 por barril.

Cotações das commodities nesta manhã

CommodityReferênciaCotaçãoVariaçãoHorário e status
Brentreferência internacional/CFDUS$ 88,77 por barril-0,15%08h02 BRT, indicativa
WTIreferência internacional/CFDUS$ 83,09 por barril-0,14%08h02 BRT, indicativa
Ourospot/CFDUS$ 4.415,24 por onça+1,03%08h02 BRT, indicativa
Prataspot/CFDUS$ 66,30 por onça+2,52%08h02 BRT, indicativa
Cobrefuturo/CFDUS$ 6,66 por libra+0,78%08h02 BRT, indicativa
Minério de ferroreferência chinesa720,50 yuans por tonelada-0,14%08h02 BRT, indicativa
SojaNov/26, ChicagoUS$ 11,7525 por bushel+6,50 cents07h45 BRT, intradiária
MilhoDez/26, ChicagoUS$ 4,6575 por bushel+5,25 cents07h50 BRT, intradiária
TrigoSet/26, ChicagoUS$ 6,5225 por bushel+22,00 cents07h47 BRT, intradiária
Boi gordoAgo/26, B3R$ 349,80 por arrobaestável18h21 BRT de 11/08, último fechamento disponível

As referências de energia e metais foram registradas no mesmo instante para evitar a mistura de preços de horários diferentes. Os valores são indicativos e baseados em instrumentos que acompanham os mercados internacionais; não substituem o ajuste oficial das bolsas. Nos grãos, as cotações intradiárias são da CME exibidas pelo Notícias Agrícolas.

Trigo dispara antes do WASDE

O trigo liderava com ampla vantagem os ganhos agrícolas. Às 07h47 de Brasília, o setembro de Chicago estava em 652,25 cents por bushel, equivalente a US$ 6,5225, com valorização de 22 cents — aproximadamente 3,5%.

A alta combina reposicionamento antes dos relatórios do USDA com o prêmio de risco ligado à oferta. O trigo continua particularmente sensível às condições das lavouras americanas e à segurança das rotas do Mar Negro. Qualquer revisão de produção, estoques ou exportações pode provocar nova rodada de volatilidade.

O USDA publica o WASDE e o relatório Crop Production às 12h pelo horário da costa leste dos Estados Unidos, ou 13h em Brasília. O relatório de agosto é especialmente importante porque incorpora as primeiras estimativas de produtividade de milho e soja baseadas em pesquisa de campo.

Milho e soja sobem antes dos números do USDA

O milho dezembro avançava 5,25 cents, para US$ 4,6575 por bushel às 07h50. A soja novembro subia 6,50 cents, negociada a US$ 11,7525 às 07h45.

Os movimentos são mais moderados que o do trigo, mas revelam cautela com o potencial de surpresa do relatório. Para o milho, o mercado espera novas estimativas de produtividade, produção e estoques finais. Na soja, o foco se divide entre o desenvolvimento das lavouras americanas, as compras chinesas e a oferta sul-americana.

Como os dados do USDA serão divulgados apenas no início da tarde, as cotações desta manhã representam essencialmente o posicionamento anterior ao relatório. A direção pode mudar rapidamente após as 13h.

Ouro e prata avançam antes da inflação americana

Os metais preciosos retomam força. Às 08h02, o ouro era negociado em torno de US$ 4.415 por onça, alta de aproximadamente 1%, enquanto a prata avançava mais de 2,5%, para cerca de US$ 66,30.

O mercado aguarda o CPI de julho dos Estados Unidos, previsto para 09h30 de Brasília. O indicador pode alterar as expectativas para os juros do Federal Reserve e, por consequência, movimentar dólar, rendimentos dos Treasuries e metais preciosos.

Uma inflação mais forte tende a reforçar a percepção de juros elevados por mais tempo, cenário normalmente desfavorável ao ouro e à prata. Um resultado mais brando pode reduzir os rendimentos e ampliar o interesse por metais. A relação, porém, não é automática: a geopolítica e a demanda por proteção também seguem relevantes.

Cobre sobe com oferta apertada e demanda estrutural

O cobre operava próximo de US$ 6,66 por libra, alta de cerca de 0,8%. O metal recebe apoio de sinais de oferta global mais apertada, incertezas sobre a produção de minas e o deslocamento de estoques para os Estados Unidos diante do risco de novas tarifas.

No lado da demanda, eletrificação, expansão de redes elétricas e infraestrutura de centros de dados continuam dando suporte à perspectiva de longo prazo. A China, maior consumidora mundial, permanece como o principal fator de cautela: indicadores de atividade e consumo menos vigorosos podem limitar os ganhos.

Minério de ferro oscila perto de 720 yuans

O minério de ferro apresentava movimento mais contido, cotado a 720,50 yuans por tonelada, ligeira queda de 0,14%. O mercado equilibra a redução recente dos embarques globais e o risco de paralisações em operações australianas com uma demanda siderúrgica chinesa ainda irregular.

Dados recentes mostraram recuo das chegadas de minério aos portos chineses, oferecendo suporte de curto prazo. Ao mesmo tempo, a desaceleração da inflação ao consumidor e ao produtor na China reforçou dúvidas sobre a força da demanda doméstica.

Petróleo oscila com sinais contraditórios sobre Ormuz

Brent e WTI alternavam pequenas altas e baixas. Às 08h02, o Brent estava em US$ 88,77 e o WTI em US$ 83,09, ambos com recuo próximo de 0,1% nas referências indicativas consultadas.

O mercado tenta interpretar mensagens conflitantes. De um lado, autoridades do Paquistão afirmaram que Estados Unidos e Irã estariam próximos de algum tipo de entendimento, enquanto as conversas mediadas por Omã teriam avançado. Do outro, declarações mais duras do governo americano mantêm dúvidas sobre uma solução rápida para o Estreito de Ormuz.

O petróleo também absorve um fator de pressão: dados da indústria indicaram aumento de 9,1 milhões de barris nos estoques de petróleo dos Estados Unidos na semana passada, o maior avanço desde fevereiro. O relatório oficial da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos será divulgado às 11h30 de Brasília.

Boi gordo aguarda abertura da B3

O mercado futuro brasileiro de boi gordo ainda não estava aberto no horário desta atualização. A referência disponível é o fechamento de terça-feira: o contrato agosto encerrou a R$ 349,80 por arroba, estável, às 18h21 de Brasília.

O setor continua apoiado por oferta ajustada, mas acompanha a capacidade de repasse dos preços da carne ao consumidor. Câmbio, custos de alimentação e comportamento das exportações completam o conjunto de fatores para o mercado doméstico.

Agenda concentra três eventos capazes de mudar os preços

A quarta-feira reúne divulgações com potencial para mudar rapidamente a direção das commodities:

  • 09h30 BRT: CPI de julho dos Estados Unidos;
  • 11h30 BRT: relatório semanal de estoques de petróleo da EIA;
  • 13h00 BRT: WASDE e Crop Production do USDA.

O CPI deve repercutir principalmente em ouro, prata, cobre, dólar e juros. A EIA será decisiva para confirmar ou contrariar o forte aumento de estoques indicado pela indústria. O WASDE tende a comandar a sessão de milho, soja e trigo.

Leitura do mercado nesta quarta-feira

A manhã começa com o trigo como destaque claro, mas o cenário está longe de definido. O avanço de aproximadamente 3,5% ocorre antes de um relatório capaz de alterar estimativas de produção e estoques globais.

Nos metais, a alta mostra demanda por proteção e por ativos ligados à transição energética, embora o CPI possa mudar rapidamente as expectativas para os juros americanos. No petróleo, o impasse sobre Ormuz mantém o prêmio geopolítico, enquanto o crescimento dos estoques dos Estados Unidos impede uma alta mais linear.

O resultado é uma sessão de espera com volatilidade elevada. Inflação americana, estoques de petróleo e WASDE formarão a sequência mais importante do dia para as commodities.

Fontes consultadas

USDA — calendário e relatório WASDE, USDA/NASS — calendário de relatórios, BLS — CPI, EIA — calendário do relatório semanal de petróleo, Notícias Agrícolas — soja, Notícias Agrícolas — milho, Notícias Agrícolas — trigo, Trading Economics — commodities e Associated Press — mercados internacionais.