Chicago abre a quinta-feira ainda repercutindo o relatório do USDA: milho e trigo sustentam os maiores ganhos, soja avança de forma mais moderada e o petróleo devolve parte do prêmio recente com Ormuz e os estoques americanos no radar.
Atualizado em 13 de agosto de 2026, às 07h12, pelo horário de Brasília.
O milho começa esta quinta-feira como o principal destaque entre as commodities. Depois da publicação do relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o WASDE, os contratos negociados em Chicago reagiram à redução da produtividade projetada e à queda dos estoques finais americanos. O vencimento dezembro avançava 20,25 cents, ou 4,40%, para US$ 4,8075 por bushel na referência capturada às 07h05 de Brasília.
O trigo também preservava ganhos expressivos, enquanto a soja subia de forma mais contida. Fora do complexo agrícola, o movimento era predominantemente negativo: Brent e WTI cediam cerca de 1,5%, ouro, prata e cobre recuavam e o minério de ferro perdia mais de 2% na referência chinesa.
Cotações das commodities nesta manhã
| Commodity | Referência | Cotação | Variação | Horário e status |
|---|---|---|---|---|
| Milho | Dez/26, Chicago | US$ 4,8075/bushel | +20,25 cents; +4,40% | 07h05 BRT, intradiária |
| Trigo | Set/26, Chicago | US$ 6,5275/bushel | +22,50 cents; +3,57% | 07h05 BRT, intradiária |
| Soja | Nov/26, Chicago | US$ 11,8500/bushel | +1,75 cent; +0,15% aprox. | 07h05 BRT, intradiária |
| Brent | referência internacional/CFD | US$ 87,63/barril | -1,52% | 07h12 BRT, indicativa |
| WTI | referência internacional/CFD | US$ 81,93/barril | -1,60% | 07h12 BRT, indicativa |
| Ouro | spot/CFD | US$ 4.384,00/onça | -0,56% | 07h12 BRT, indicativa |
| Prata | spot/CFD | US$ 64,69/onça | -0,96% | 07h12 BRT, indicativa |
| Cobre | futuro/CFD | US$ 6,55/libra | -0,74% | 07h12 BRT, indicativa |
| Minério de ferro | referência chinesa | 705,00 yuans/tonelada | -2,15% | 07h12 BRT, indicativa |
| Boi gordo | Ago/26, B3 | R$ 349,00/arroba | estável | 18h21 BRT de 12/08, último fechamento disponível |
Os preços internacionais de energia e metais foram registrados no mesmo instante. São referências indicativas baseadas em instrumentos que acompanham os mercados globais e não substituem os ajustes oficiais das bolsas. Os grãos são cotações intradiárias da CME exibidas pelo Notícias Agrícolas. A B3 ainda não estava aberta no momento da apuração; por isso, o boi gordo corresponde ao último fechamento disponível.
Milho reage ao WASDE após corte de produtividade
O relatório de agosto trouxe uma combinação construtiva para os preços do milho americano. O USDA reduziu a estimativa de produtividade de 183,0 para 180,7 bushels por acre. Mesmo com a área plantada revisada para cima, a produção ficou projetada em 16,013 bilhões de bushels, praticamente estável diante dos 16 bilhões de julho.
O ponto de maior impacto veio do balanço de oferta e demanda. Os estoques iniciais foram reduzidos, as exportações aumentaram de 3,2 bilhões para 3,275 bilhões de bushels e os estoques finais da safra 2026/27 caíram de 1,790 bilhão para 1,653 bilhão de bushels. O preço médio recebido pelo produtor foi elevado de US$ 4,40 para US$ 4,50 por bushel.
Essas revisões ajudam a explicar a reação de mais de 4% do contrato dezembro. O mercado passou a incorporar um colchão de oferta menor do que o indicado no mês anterior, embora a produção projetada continue volumosa. A partir de agora, clima, condição das lavouras, ritmo das exportações e demanda para etanol devem determinar se os ganhos serão sustentados.
Trigo mantém alta com oferta americana mais apertada
O trigo setembro subia 22,50 cents, ou 3,57%, para US$ 6,5275 por bushel às 07h05. O WASDE reduziu a produção americana de 1,536 bilhão para 1,531 bilhão de bushels e os estoques finais de 722 milhões para 717 milhões. O preço médio ao produtor foi elevado de US$ 6,00 para US$ 6,20 por bushel.
Em termos mundiais, a produção de trigo para 2026/27 caiu de 819,97 milhões para 819,30 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais subiram ligeiramente, de 272,84 milhões para 273,25 milhões. Isso produz uma leitura mista: o balanço americano está mais apertado, mas a disponibilidade global não sofreu deterioração equivalente.
O trigo continua sensível ao clima nas regiões produtoras e à segurança das rotas do Mar Negro. Esses fatores podem ampliar a volatilidade mesmo quando as revisões mensais do USDA são moderadas.
Soja sobe pouco apesar de produção maior
A soja novembro avançava 1,75 cent, para US$ 11,85 por bushel. O relatório elevou a área plantada de 85,4 milhões para 86,8 milhões de acres e a produção de 4,475 bilhões para 4,519 bilhões de bushels, apesar da redução da produtividade estimada de 53,0 para 52,7 bushels por acre.
O esmagamento doméstico foi ampliado de 2,750 bilhões para 2,780 bilhões de bushels, mas os estoques finais aumentaram de 310 milhões para 320 milhões. O preço médio projetado ao produtor foi mantido em US$ 11,40 por bushel.
A reação moderada reflete esse equilíbrio: há suporte de uma produtividade um pouco menor e demanda doméstica mais forte, mas a área maior elevou a produção e manteve oferta confortável. Compras chinesas, clima de agosto e perspectivas para a safra sul-americana seguem como os principais vetores para a oleaginosa.
Petróleo recua com estoques elevados e incerteza em Ormuz
O Brent operava a US$ 87,63 por barril, queda de 1,52%, enquanto o WTI recuava 1,60%, para US$ 81,93, às 07h12. A redução ocorre depois de sessões marcadas por forte prêmio geopolítico relacionado ao Estreito de Ormuz.
O fluxo pela passagem estratégica continua sendo uma variável decisiva. Autoridades americanas afirmaram que cerca de 9 milhões de barris por dia estavam atravessando o estreito, embora as condições políticas e militares continuem instáveis. A percepção de melhora parcial no fluxo reduz parte do prêmio de risco, mas qualquer interrupção pode provocar nova alta rápida.
Ao mesmo tempo, o relatório semanal da EIA mostrou que os estoques comerciais de petróleo dos Estados Unidos aumentaram 17,4 milhões de barris na semana encerrada em 7 de agosto, para 424,4 milhões. A Reserva Estratégica caiu 6,1 milhões, para 298,7 milhões de barris. O forte aumento dos estoques comerciais reforça a pressão baixista nesta manhã.
Ouro, prata, cobre e minério de ferro caem
Os metais devolviam parte dos ganhos recentes. O ouro recuava 0,56%, para US$ 4.384 por onça, e a prata caía 0,96%, para US$ 64,69. O cobre cedia 0,74%, a US$ 6,55 por libra.
Depois da reação à inflação americana, o mercado ajusta posições e volta a avaliar a trajetória dos juros, do dólar e dos rendimentos dos títulos dos Estados Unidos. Ouro e prata continuam sustentados por demanda de proteção e pela incerteza geopolítica, mas estão sujeitos a realizações após movimentos fortes.
No minério de ferro, a referência chinesa recuava 2,15%, para 705 yuans por tonelada. O movimento reflete a combinação de oferta disponível e dúvidas sobre a intensidade da demanda siderúrgica chinesa, tema que permanece central para mineradoras e exportadores brasileiros.
Boi gordo aguarda a abertura da B3
Como o mercado brasileiro ainda não havia aberto, a referência mais recente do boi gordo agosto era o fechamento de quarta-feira: R$ 349 por arroba, estável, às 18h21. A leitura do dia dependerá do comportamento das escalas de abate, dos preços da carne no atacado, das exportações e da formação das posições nos contratos futuros.
O que acompanhar nesta quinta-feira
Depois da forte reação inicial ao WASDE, o teste para milho e trigo será a sustentação dos ganhos durante a sessão regular em Chicago. O mercado também acompanhará os dados semanais de vendas externas do USDA e novas indicações sobre a demanda chinesa.
No petróleo, o foco permanece dividido entre a oferta física pelo Estreito de Ormuz e o grande aumento dos estoques comerciais americanos. Para os metais, dólar, juros e novos indicadores de inflação nos Estados Unidos tendem a definir o ritmo das negociações.
O quadro desta manhã é de rotação dentro do complexo de commodities: grãos respondem a uma oferta americana mais ajustada, enquanto energia e metais passam por correção após altas recentes. A volatilidade deve permanecer elevada, sobretudo em milho, trigo e petróleo.
Fontes consultadas
USDA — WASDE de agosto de 2026, EIA — Weekly Petroleum Status Report, Notícias Agrícolas — soja, Notícias Agrícolas — milho, Notícias Agrícolas — trigo, Trading Economics — commodities e Associated Press — Oriente Médio e petróleo.

