Os mercados financeiros operam em alta nesta quinta-feira (18), impulsionados por fatores distintos no Brasil e no exterior. Enquanto os investidores brasileiros repercutem o novo corte da taxa Selic anunciado pelo Banco Central, no cenário internacional o otimismo é sustentado pela assinatura do tratado de paz no Oriente Médio e pela expectativa de normalização total do tráfego no Estreito de Ormuz.
O movimento provocou mais uma queda nos preços do petróleo, fator que pode contribuir para reduzir as pressões inflacionárias globais nos próximos meses.
Corte da Selic impulsiona ativos brasileiros
No Brasil, o principal catalisador para os mercados é a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano.
A medida reforça a expectativa de um ambiente mais favorável para o crédito, o consumo e os investimentos, beneficiando especialmente setores ligados ao mercado doméstico.
A redução dos juros também tende a melhorar as perspectivas para empresas dependentes de financiamento e para segmentos sensíveis ao custo do capital, contribuindo para o avanço da bolsa brasileira.
Acordo de paz anima mercados globais
No exterior, os investidores demonstram maior apetite por risco após a assinatura do tratado de paz envolvendo os principais atores do conflito no Oriente Médio.
Além da redução das tensões geopolíticas, o mercado acompanha a expectativa de reabertura completa do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural.
A normalização do fluxo de embarques reduz os temores sobre interrupções no fornecimento global de energia e tem provocado uma queda expressiva nas cotações do petróleo.
Petróleo mais barato pode aliviar a inflação
A retração dos preços da commodity é vista como uma notícia positiva para a economia global.
Com energia mais barata, os custos de transporte, logística e produção tendem a diminuir, reduzindo parte das pressões inflacionárias que vêm preocupando bancos centrais ao redor do mundo.
Analistas avaliam que, caso o movimento se mantenha nas próximas semanas, os efeitos poderão começar a ser percebidos nos índices de inflação ao longo do segundo semestre.
Agronegócio acompanha possível queda dos fertilizantes
Para o agronegócio brasileiro, a expectativa de reabertura total do Estreito de Ormuz também é recebida com otimismo.
A região é estratégica para o comércio global de fertilizantes, especialmente produtos nitrogenados e matérias-primas utilizadas na produção de insumos agrícolas.
Com a normalização da logística internacional e a redução dos custos energéticos, cresce a expectativa de queda nos preços dos fertilizantes, fator que pode contribuir para reduzir os custos de produção da próxima safra.
O tema é acompanhado de perto por produtores rurais, cooperativas e empresas do setor, que enfrentaram forte volatilidade nos preços dos insumos durante os períodos de maior tensão geopolítica.
Dólar sobe com expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos
Apesar do clima positivo nos mercados acionários, o dólar opera em alta frente a diversas moedas globais.
O movimento ocorre após o Federal Reserve (Fed) manter os juros americanos inalterados e sinalizar cautela em relação aos próximos passos da política monetária.
Parte dos investidores passou a apostar em um período mais prolongado de juros elevados nos Estados Unidos, cenário que fortalece a moeda americana e atrai recursos para os títulos do Tesouro norte-americano.
A valorização do dólar tende a limitar ganhos de moedas emergentes, incluindo o real, mesmo em um ambiente de maior apetite por risco nos mercados globais.
Investidores monitoram próximos desdobramentos
O foco do mercado agora está na consolidação do acordo de paz no Oriente Médio, na evolução dos preços do petróleo e nas próximas sinalizações do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro.
A combinação de juros menores no Brasil, redução das tensões geopolíticas e expectativa de inflação mais controlada cria um ambiente mais favorável para os ativos de risco, mas os investidores seguem atentos aos desafios fiscais e ao comportamento da economia global nos próximos meses.

