Café, milho, soja, trigo e gado representam a alta das commodities no fechamento do mercado

Fechamento de Mercado: café dispara quase 5% e grãos encerram em alta

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O fechamento de mercado desta terça-feira (28) teve predomínio de alta nas commodities agrícolas internacionais. O café arábica liderou os ganhos, enquanto milho, soja, trigo e boi também avançaram. No Brasil, perto do fim do pregão, o Ibovespa subia e o dólar recuava diante do real.

A recuperação dos grãos ocorreu um dia depois de uma correção forte em Chicago e ganhou apoio de novos sinais de estresse nas lavouras dos Estados Unidos. O relatório semanal do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) mostrou queda nas avaliações de milho e soja, ao mesmo tempo em que compras internacionais mantiveram a demanda de exportação no radar.

Painel de cotações

Consulta realizada em 28 de julho de 2026, entre 16h50 e 17h, no horário de Brasília. Os valores abaixo são referências diárias de mercado acompanhadas pela Trading Economics. Ibovespa e dólar estavam em negociação e, portanto, são cotações parciais. Os dados não constituem recomendação de investimento.

AtivoReferênciaCotaçãoVariação no diaStatus
MilhoChicago, US¢/bushel458,33+1,46%Referência diária
SojaChicago, US¢/bushel1.211,25+0,23%Referência diária
TrigoChicago, US¢/bushel664,75+0,72%Referência diária
Café arábicaNova York, US¢/libra-peso340,50+4,91%Referência diária
Boi vivoEstados Unidos, US¢/libra-peso227,13+0,84%Referência diária
Petróleo BrentUS$/barril83,74-5,22%Referência internacional
Dólar/realR$/US$5,1190-0,21%Cotação parcial
IbovespaPontos176.425+0,62%Cotação parcial

Café é o destaque do fechamento de mercado

O café arábica apresentou o movimento mais forte entre os ativos acompanhados, com avanço de 4,91% na referência internacional. A alta ocorre em um mercado que permanece sensível às condições da colheita brasileira, à qualidade dos grãos e ao nível apertado dos estoques disponíveis.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destacou recentemente que atrasos na colheita 2026/27, incertezas climáticas e dúvidas sobre a qualidade do café novo vêm mantendo elevada a volatilidade. A força desta terça-feira reforça que qualquer mudança nas expectativas de oferta pode produzir ajustes rápidos em Nova York.

Milho, soja e trigo recuperam terreno em Chicago

Os grãos voltaram ao campo positivo depois das perdas registradas na segunda-feira. O milho teve o melhor desempenho do grupo, com alta de 1,46%. Trigo avançou 0,72%, enquanto a soja ganhou 0,23%. Um segundo painel de preços futuros, fornecido pela Barchart à Successful Farming, também indicava variações positivas nos contratos próximos, confirmando a direção do movimento.

O principal fundamento do dia veio do relatório de progresso das lavouras do USDA. A parcela do milho classificada como boa ou excelente caiu de 67% para 63% em uma semana. Na soja, o mesmo indicador recuou de 66% para 63%. Na comparação anual, as duas culturas também estão em condição inferior: o milho tinha 73% de avaliação positiva e a soja, 70% no mesmo período de 2025.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento das lavouras segue adiantado. O USDA informou que 78% do milho já havia alcançado a fase de florescimento e que 47% da soja formava vagens, ambos acima das médias de cinco anos. Isso deixa o mercado dividido entre a rápida evolução das plantas e o possível impacto do calor recente sobre o potencial produtivo.

Exportações dão sustentação à demanda

As vendas externas norte-americanas também ajudaram a limitar a pressão sobre os preços. O USDA confirmou negócios para a safra 2026/27 envolvendo 132 mil toneladas de soja destinadas à China, 285,8 mil toneladas de milho para o México e outras 120 mil toneladas de soja para destinos não revelados.

Para o produtor brasileiro, a combinação entre preços internacionais mais firmes e dólar ligeiramente mais baixo exige atenção. A valorização das commodities favorece a formação de preços, mas o real mais forte reduz parte da conversão das receitas de exportação. Prêmios nos portos, custos logísticos e ritmo de comercialização continuam decisivos. Veja também a análise do AgroSignal sobre o mercado de soja no Porto de Paranaguá.

Boi sobe no exterior; petróleo cai com força

A referência internacional do boi vivo avançou 0,84%, mantendo o mercado pecuário no campo positivo. O dado doméstico definitivo da B3 ainda não estava disponível no horário de corte desta matéria e, por isso, não foi apresentado como fechamento. No mercado físico brasileiro, oferta de animais, escalas dos frigoríficos e exportações permanecem entre os principais vetores de preço. O AgroSignal acompanha esses fatores na matéria sobre boi gordo e exportações para a China.

O petróleo seguiu na direção oposta às commodities agrícolas. O Brent recuava mais de 5%, pressionado pela pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã e por sinais de possível retomada das negociações. A queda do petróleo costuma reduzir o suporte indireto ao milho ligado à demanda por etanol, mas, nesta terça-feira, a piora das condições das lavouras e o movimento de recuperação prevaleceram.

Bolsa sobe e dólar recua perto do encerramento

Às 16h50, o Ibovespa avançava cerca de 0,62%, aos 176,4 mil pontos, enquanto o dólar recuava 0,21%, negociado próximo de R$ 5,12. Como o pregão brasileiro ainda não havia terminado no momento da consulta, esses números representam uma fotografia parcial, não o fechamento oficial da B3.

Para empresas do agronegócio, o comportamento conjunto de Bolsa, câmbio, petróleo e commodities influencia margens, custos de insumos e decisões de comercialização. Um dólar mais baixo pode aliviar importações de fertilizantes e defensivos, mas também diminui a receita em reais obtida com exportações, caso os preços externos não compensem o movimento.

O que acompanhar no próximo pregão

  • novas atualizações dos modelos climáticos para o cinturão agrícola dos Estados Unidos;
  • eventuais compras adicionais de soja pela China e de milho por outros importadores;
  • o impacto da piora das lavouras sobre as expectativas de produtividade;
  • as condições da colheita de café no Brasil e a qualidade dos grãos;
  • o noticiário do Mar Negro e as negociações envolvendo Estados Unidos e Irã;
  • a decisão do Federal Reserve e seus efeitos sobre dólar, juros e fluxo para mercados emergentes.

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Fontes consultadas