Preço da soja recua no porto de Paranaguá, mas mercado segue atento aos prêmios

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O mercado da soja iniciou a semana com novas perdas no porto de Paranaguá (PR), uma das principais referências para a comercialização do grão no Brasil. Segundo o indicador Cepea/Esalq, a saca fechou a segunda-feira (15) cotada a R$ 129,24, queda de 0,47% em relação ao pregão anterior e a terceira baixa consecutiva registrada no local.

Apesar da pressão observada nos preços físicos, especialistas avaliam que o mercado ainda apresenta fundamentos que podem sustentar cotações mais firmes nos próximos meses.

Prêmios seguem favorecendo vendas futuras

De acordo com Ênio Fernandes, analista da Terra Agronegócios, os prêmios pagos pela soja brasileira continuam oferecendo oportunidades para comercializações de longo prazo.

Segundo ele, os prêmios para embarques em setembro estão cerca de 10% acima dos valores atualmente negociados na Bolsa de Chicago, fator que pode contribuir para uma remuneração mais atrativa ao produtor que optar por travar preços antecipadamente.

A avaliação é de que essa valorização já começa a ser percebida pelo mercado e pode compensar parte das oscilações observadas nas cotações internacionais.

Oferta global recorde limita altas mais expressivas

Por outro lado, a ampla disponibilidade de soja no mercado mundial continua sendo um fator de pressão para os preços.

Na última semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou sua estimativa para a produção global da safra 2025/26 para um recorde de 429,2 milhões de toneladas.

O volume representa aumento de 0,4% em relação à projeção anterior e crescimento de 0,3% na comparação com a temporada passada.

Segundo analistas, a perspectiva de uma oferta global abundante reduz o potencial de altas mais significativas no mercado internacional.

Mercado físico apresenta comportamento misto

Nas principais regiões produtoras do Brasil, os preços tiveram comportamentos distintos ao longo do dia.

Em Ponta Grossa (PR), a saca registrou uma das maiores quedas do dia, recuando R$ 2 e encerrando o pregão a R$ 124, segundo levantamento da AgRural.

Já em Lucas do Rio Verde (MT), a cotação avançou R$ 0,50, para R$ 106,50 por saca.

Em Luís Eduardo Magalhães (BA), a valorização também foi de R$ 0,50, com negócios registrados a R$ 115 por saca.

Chicago fecha em alta

Enquanto o mercado físico brasileiro apresentou oscilações regionais, os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago encerraram o dia em alta.

O vencimento para julho avançou 0,52%, fechando a US$ 11,19 por bushel.

O movimento reforça a atenção dos agentes do mercado para a combinação entre oferta global elevada, demanda internacional e prêmios de exportação, fatores que devem continuar determinando o comportamento dos preços nas próximas semanas.

O que o produtor deve observar

Além das movimentações em Chicago, produtores brasileiros devem acompanhar de perto a evolução dos prêmios nos portos, o ritmo das exportações e o comportamento da safra norte-americana.

Esses fatores podem criar oportunidades de comercialização ao longo do segundo semestre, especialmente para quem busca estratégias de venda antecipada e proteção de margens.